terça-feira, 20 de outubro de 2009

RESPIRAÇÃO

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Tumor
que gera
Tumor
Que guarda o ar que falta.

E tem meu amor.

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Vergonha de explodir no restaurante self-service. Não pelo lugar, mas pelo motivo.

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"(...)
Tua mão que desliza
distraidamente?
a minha mão"

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Qualquer coisa que queira me ver respirando.

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"Recuperação da adolescência

É sempre mais difícil
ancorar um navio no espaço"

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Eu quis alguém pra olhar no olho e saber mesmo se era por dentro ou por fora, como Leminski. Mas aí eu olharia e em um segundo eu me encabularia porque sim, seria por dentro, e tão dentro, que também a minha parte mais bonita e mais desconhecida estaria exposta, jogada, entregue.
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Eu entrego e asfixio o que não é meu corpo. Afinal, eu tenho apenas um metro e cinquenta de altura.


(aspas para Ana Cristina César)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Eu também sou:


"Os gigantes da montanha", um exercício de corporeidades

Uma companhia de atores em decadência encontra um casarão e é acolhido por seus habitantes - os 'desafortunados' - num ambiente de música e sonho.

"Os gigantes da montanha", último texto escrito por Luigi Pirandello, é a base para o exercício de encerramento da oficina Ação: a poética do corpo em cena, processo que explorou possibilidades de expansão e compreensão do corpo-voz-imaginação, num diálogo com o espaço, com o outro, com o tempo e, por fim, com o texto.

Coordenação: Paula Carrara
Assessoria Teórica: Emerson Rossini
Assessoria Musical: Ronaldo dos Santos
Assistência: Ana Luíza Caetano

Com Cláudia Sarro, Márcia Torcatto, Raíça Augusto, Raquel Zanelatto, Kéroly Gritti, Lilian Akemi, Nádia Costa, Lenir Viscovini, Diogo Cardoso, Danúbia Ivanoff, João Cruz, Paulo Vicente, Nelson Jorge, Daniel Lima, Jailson Farias.


DIAS 17 E 18 DE OUTUBRO
Sábado às 20h
Domingo às 15h

TEATRO ELIS REGINA
Av. João Firmino, 900 - Bairro Assunção - São Bernardo do Campo
tel: 4351-3479

*GRÁTIS (ingressos disponíveis uma hora antes, na bilheteria)



quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ele me seguia o tempo quase todo. Eu gostava de saber que ele estava por perto, mas na dele. Porque ficava excitadíssimo a qualquer toque ou palavra mais animada e eu não precisava daquilo, realmente.
Às vezes eu parava para encará-lo. Primeiro, achei o seu rosto muito bonito, como se pintado naturalmente. Depois, vi que trazia constantemente uma tristeza, um medo irreprimível no olhar e em como a cabeça ficava sempre caída. Esse olhar vinha de baixo pra cima, como de quem sabe que é inferior.
Até que percebi que ele me observava muito, e me encarava também. Parei para olhá-lo e ele entendeu que isso era um desafio de curiosidade. Me deu um olhar incrédulo e não desviou-se de mim. Eu é que fui embora. Ele vem atrás. Por carência, por fome e por alguma coisa que eu quero descobrir.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Mas aí está todo o mal! Nas palavras! Todos temos dentro de nós um mundo de coisas; cada qual tem um mundo seu de coisas! E como podemos nos entender, senhor, se nas palavras que eu digo ponho o sentido e o valor das coisas como elas são dentro de mim; enquanto quem as ouve, inevitavelmente as assume com o sentido e com o valor que têm para si, do mundo assim como ele o tem dentro de si?"


Luigi Pirandello, Seis personagens à procura de um autor

sábado, 20 de junho de 2009

Ela chegava em casa com uma bomba no coração e um soluço na boca. Não sentia frio e o inverno estava muito perto.

Naquele dia, tinha entrado numa loja. Loja de letras antigas, ou pelo menos não novas. Depois ela saberia que quando entrou foi uma figura marcante. Mais marcante do que a impressão cotidiana que tinha de si mesma.

Na hora que chegou, percebeu que o rapaz atrás do balcão foi amável na recepção, mas como não estava procurando nada específico, foi então enfiando a cara nas prateleiras.

Chegou a folhear um livro que já não estava interessante, perdendo a espontaneidade numa sensação de ser observada. Ela estava na sessão de filosofia. Olhou para o lado direto e viu "Esotéricos/ Medicina alternativa". Olhou para o esquerdo e leu "Literatura alemã e francesa".

Ainda se sentindo observada, foi até a sessão das literaturas, viu alguns livros no original em francês. No fundo era só uma olhada, bem casual.

Aí achou um título que só horas depois perceberia como soava brega. Mas tinha algo de erótico nele, na contracapa, e o autor ela já tinha ouvido falar numa conversa de bar. Era pequeno e custava oito reais. Resolveu levar.

Lembrando que nesse meio tempo, o cara do balcão falou com ela três vezes: uma foi pra dizer que ela poderia deixar sua bolsa em cima de uma pequena mesa do centro, pra ficar mais à vontade. Na segunda ele levou uma pequena cadeira, para que ela pudesse se acomodar melhor, vendo a parte de baixo da prateleira. A terceira foi um comentário. "Ah, aqui os livros pegam muito pó", e disse isso limpando com a mão um dos livros, como se estivesse se desculpando pelo pó, mas ela nem tinha reparado nesse aspecto. Pensou que nenhum homem é gentil assim do nada.

Quando depois ela foi levar o livro no balcão, ele começou a comentar a morte prematura do autor. Era algo relacionado a um ferimento durante a primeira guerra mundial. Depois, ele começou, de maneira quase desarmônica, a fazer links com o seu currículo artístico pessoal.

Tanto que a chamou, naturalmente, ou querendo parecer natural, pra ir do lado dele do balcão e ver suas pinturas gravadas numa pasta do computador. Ela tinha simpatizado com ele, afinal, ele não era feio, era inteligente e falava muito bem. Além disso, uma tendência a querer o novo a motivava inconscientemente.

Eram figuras cheias de abstrações, subjetividade, planos insólitos, até surrealistas, sempre em cima de modelos nus que pousavam pra ele. A cor vermelha marcava bem principalmente os sexos. E havia pêlos pubianos, bolas caídas e pneus de barriga feminina que ela gostou.

Mas ela não estava confortável. Nem era por causa das figuras, mas pela situação. Eles estavam próximos um do outro e ela sentiu o cheiro dele e era bom. De perto, ele parecia mais velho, e era bem mais velho que ela. Tinha um olhos e um nariz que a faziam lembrar de um antigo amor platônico.

Ele era quem falava mais. Praticamente deu uma aula de arte visual pra ela. Mostrou trechos de filmes de diretores com nome difícil. As imagens era silenciosas e intensamente bonitas. Tocou-a na sua sensibilidade de começo de tarde. Ele deu pra ela um livro de fotografias de grandes estrelas do cinema do século passado, e eles olhavam as fotos e comentavam filmes e caras e bocas. Depois falaram dos apartamentos horríveis de são paulo, de insônia, travesseiros e sonhos pequenos.

Ela tinha que voltar pro trabalho, estava uns vinte minutos atrasada. O chefe já devia ter ligado, mas o celular estava esquecido em cima da sua mesa de trabalho. Ela escrevia notícias, e odiava escrever notícias. Mas enfim.

Com medo dele, não porque ele pudesse fazer algo de mal, mas de bem. Ela disse: "bom, deixa eu ir então.." e logo foi ficando sem graça, olhando pro chão, se sentindo impotente. Eles se abraçaram forte, numa intimidade que tinha nascido muito rapidamente. Aí o abraço acabou, e aí aconteceu aquela posição de eles se olharem bem de perto. Ela ficou com o rosto totalmente em brasa e tensionou os lábios.

Ele disse que tinha sido bom ter conhecido ela e foi se aproximando com a boca entreaberta. Ela virou o rosto e sentiu toda a intenção e a textura que poderia ter sido aquele beijo, se na boca. Tremeu. Se afastou. Deu um sorriso doce, se despedindo, como se nada tivesse acontecido.

Ela foi até a porta e ele foi junto. Pegou na mão dela, as mãos se apertaram, se soltaram e ela foi embora, pisando na calçada toda incomodada e excitada. Falando sozinha, em inglês, se sentindo uma personagem complicada de um filme casual que tinha visto na televisão.

A bomba no coração foi o arrependimento e o soluço foi da boca e da garganta que não conseguiam se aquietar. Depois de três dias ainda tinha soluço. Ela pensou que tinha sido cutucada naquilo que, dentro dela, mais a incitava. Querer o novo, mas ainda não o fazer. Dormiu imaginando como seria posar para ele.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Aqui eu não tenho que me explicar

por isso vou postando de novo e de novo.

Larguei o Henry Miller pela segunda vez. Ele me choca e fazia tempo que eu não sentia isso ao entrar em contato com alguma coisa. Nem vendo os vídeos mais bizarros no "youtube" alternativo.

E no entanto vim escrever aqui ontem, embriagada de computador, e escrevi como ele escreve. Mas de um jeito um pouco parecido na forma só. Eu nunca pensaria em morcegos entrando no ânus de alguém.

Depois do José Costa eu volto pra ele, mesmo que ele se refira a mim como "buceta" apenas, ou tente enfiar pregos quentes no meu útero. Eu sou uma mulher de malandro pseudo-literária.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Eu tenho uma cabeça pesada que flutua (e daí, né?)

São 3 pras 3 da madruga e eu terminei meu trabalho. Mas continuo aqui sentada em posição de sofá vendo coisas que realmente não preciso, talvez nem me interessem tanto. Compulsão por telas e teclas, falando assim parece até mais bonito, ou menos nerd. Pelo menos é terça feira ainda e não um sábado. Aí eu poderia me sentir nerd por estar nessa situação. Se bem que ultimamente ando orgulhosa de ter tanto o que estudar e fazer, que cancelo minhas possibilidades de rua numa boa. Eu não sei o que acontece. Sei o que não acontece muito bem. Nos últimos dias, minha roupa variou só nos tipos de pijama. Fui uma dessas pessoas que, pra sair de casa, coloca um tênis, pega a carteira e tá pronto. Mas eu ganhei do meu pai no buraco e isso nunca tinha acontecido. Aí eu senti que estava progredindo na vida. Hahahahahahahaha. Pensei agora na palavra "Brainstorming" e agora na tradução "fluxo de consciência", esperei o pensamento vir pra eu digitar correndo, mas não veio nada, só a percepção de que eu estava olhando para a folha aqui do lado do computador. Acho que meu cérebro esvaziou e eu entrei no automático. Sou a torre de marfim ao contrário. Quem sabe eu comece a sujar esse espaço com minhas obrigações poéticas. Mas conto que a torre de marfim virou sangue e eu fiquei "exangue" -> palavra nova que aprendi, não é bonita? Hoje ouvi com muito gosto o BALANGANDÃS da NÁ OZZETTI e queria poder ir no pocket show dela e não ter que começar outro processo de escrita, desta vez mais chato e vago. Será que uma hora eu posso ficar louca de tantas letrinhas na minha vida? Está nascendo um terçol no meu olho, vou procurar no google pra ver se é assim que se escreve e é assim mesmo. Eu quero começar a ler o meu budapeste, porque não entendi o filme. Ele tá aqui do meu lado olhando pra mim. Zsoze kósta tá na moda! melhor que ele só o ....cacete...esqueci o nome...me joguei literalmente no chão hoje rindo desse nome e agora esqueci....panequinha...CHICO PANEQUINHA!!